quarta-feira, 9 de abril de 2008

Encenação


Estou parado à porta de tua casa e vejo a tua sombra pela grande janela da sala.
- Por favor, continue a andar. Mudei de ideias. Não é aqui que quero ficar.
O carro desliza silenciosamente pela rua barulhenta e as luzes dos candeeiros da rua magoam-me os olhos.
Imaginei tantas vezes o meu regresso a casa. Consigo ver o teu ar surpreso, a felicidade no teu rosto, o nervosismo dos passos que dás em direcção a mim. Consigo sentir o abraço apertado, o calor do teu corpo, o perfume que sempre usas. Consigo quase vivê-lo. Imaginei-o tantas vezes que tenho medo de o viver realmente.
Não era ali que queria ficar. Não era... Não é.
- Chegámos.

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